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A crise financeira e a crescente exigência da gestão do risco nas empresas

“Nas crónicas e artigos que fui publicando ao longo dos últimos dois anos, por diversas vezes chamei à atenção para a necessidade de uma atempada “política de intervenção” no mercado de capitais”


26-09-2008, F. L. Murteira Nabo


Nas crónicas e artigos que fui publicando ao longo dos últimos dois anos, por diversas vezes chamei à atenção para a necessidade de uma atempada “política de intervenção” no mercado de capitais – especialmente em resultado do preocupante crescimento do capital especulativo – por forma a controlar os “efeitos perversos da globalização,” por entender que os modelos liberais, especialmente quando levados excessivamente longe (como aconteceu nos últimos anos) não têm conduzido a uma regulação automática dos mercados, podendo mesmo gerar desequilíbrios económicos e sociais incontroláveis. Alguns dos meus amigos (e críticos), acusaram-me então de ser um keynesiano fundamentalista e um estatista inveterado!
Não foi preciso muito tempo, afinal, para que a crise financeira demonstrasse a insuficiência dos mecanismos de regulação e prevenção existentes a nível mundial, obrigando a medidas de intervenção públicas, de uma dimensão de que não há memória, em todo o mundo, mas especialmente na mais liberal das economias: a norte-americana. Há dias o Eng. João Talone dizia, numa conferencia sobre “Corporate Governance”, da qual fui um dos moderadores, que o futuro passa agora, inevitavelmente, por haver um maior cuidado na gestão do risco, quer ao nível do “Management,” quer ao nível dos Comités de Auditoria das empresas. É que, como dizia, por mais sofisticadas que sejam as engenharias financeiras que se inventem, e por mais voltas que se dêem, as empresas acabam por de cair sempre pelo balanço… Acresce, direi eu, que por mais correctos que estejam (formalmente) os relatórios dos órgãos de supervisão e controle das empresas, seja em que modelo de governo societário for, tal não garante a solidez dos “fundamentais” da empresa, exigindo-se por isso, no futuro, uma cada vez maior coordenação da “gestão do risco” entre a gestão e a auditoria empresarial.

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