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Há mais crianças que ficam
na escola!
“No
Ensino Secundário, a taxa de retenção
e desistência no ano lectivo 1997/1998
foi de
36% e em 2005/2006 situava-se nos 31,7%.
Em 2007/2008
essa
taxa baixou para os 22,4%”
26-09-2008, Luís
Miguel Ferreira
O abandono escolar é uma
dura realidade
vivida nas nossas escolas desde há muitos
anos. O diagnóstico já há muito
tempo que foi
realizado e todas as comparações
internacionais
identificam esse problema como um dos mais sérios
que o nosso país enfrenta.
Inúmeros peritos, nacionais e internacionais,
referem-se às taxas de desistência e retenção
como uma chaga
a combater e vários foram os governos
que tentaram
fazê-lo, embora sem grandes sucessos
visíveis.
Importa perder
um parágrafo deste artigo de opinião para
dizer que o problema do abandono escolar não está apenas
no facto desses alunos serem levados, muitas vezes, para
a “droga e delinquência”, como disse
o Senhor Presidente da República. Na verdade,
ainda não são raros os casos em que os
filhos de muitas famílias saem da escola com o
argumento que representam mão-de-obra e, consequentemente,
euros no final do mês. Por isso é que quem
se interessa por aprofundar dados estatísticos,
facilmente percebe qual a origem social predominante
daqueles que abandonam precocemente a escola. Eles são,
de facto, em geral, os filhos dos mais pobres. E isto é que
representa, no meu entender, a verdadeira injustiça!
O princípio intocável da igualdade de oportunidades
não tem, de facto, imperado nas escolas portuguesas
nas últimas décadas.
A política educativa deste Governo tem centrado
a sua acção precisamente para contrariar
esta tendência. Podia aqui sublinhar várias
medidas mas prefiro centrar-me nos resultados. E os resultados
obtidos no ano lectivo 2007/2008 são reveladores
que o esforço imprimido no combate desse fenómeno
tem valido a pena. No Ensino Básico, a taxa de
retenção e desistência no ano lectivo
1997/1998 foi de 13,9% e em 2005/2006 andava nos 11,4%.
Em 2007/2008 essa taxa baixou para os 8,3%. No Ensino
Secundário, a taxa de retenção e
desistência no ano lectivo 1997/1998 foi de 36%
e em 2005/2006 situava-se nos 31,7%. Em 2007/2008 essa
taxa baixou para os 22,4%.
É
evidente que
ainda há muito para fazer e o Governo já percebeu
isso. Para o próximo ano lectivo, a Acção
Social Escolar (ASE) vai chegar a 700 mil alunos, o triplo
do ano anterior e metade do número total de alunos
inscritos desde o pré-escolar ao secundário.
O impacto financeiro será de 73 milhões
de euros, elevando para perto de 200 milhões as
verbas injectadas na ASE. Além disso, o Plano
Tecnológico da Educação representará um
investimento global nas escolas na ordem dos 400 milhões
de euros e, como tal, parece-me óbvio que as nossas
escolas terão, no próximo ano lectivo,
mais e melhores condições para o desenvolvimento
das suas actividades de forma mais motivadora, envolvente
e integradora de um leque cada vez mais alargado de alunos,
independentemente da sua origem social e do seu ponto
de partida. Parece-me evidente que as escolas portuguesas
terão então ainda mais condições
para fazerem valer os princípios da igualdade
de oportunidades e da equidade.
Devo dizer
que é também evidente para mim que estes
resultados também se devem, em grande parte, ao
trabalho intenso e apaixonado dos professores portugueses,
sendo por isso inaceitável que o porta-voz do
PSD venha dizer que estes resultados são meras “estatísticas
artificiais” e fruto das “medidas facilitistas” do
Governo. Por sua vez, é intolerável que
Mário Nogueira, líder de uma das principais
organizações sindicais de professores,
insinue também esse argumento, o que é o
mesmo que dizer que os professores que representa “facilitaram” no
exercício da sua prática profissional.
Mas independentemente
de tudo, enquanto
cidadão, fico mais feliz por
saber que mais
crianças conseguem ficar na escola
por mais tempo.
E isto, não há ninguém
que consiga
negar!
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